História

A ideia da criação de uma Casa do Povo na freguesia remonta aos anos quarenta do séc. XX. Tal pretensão aparece-nos numa das actas da Junta de Freguesia, do ano de 1940, da forma seguinte:”… apresentaram-se vários indivíduos chefes de família desta freguesia, pedindo a (…) criação de uma Casa do Povo (…) e como lhes fosse perguntado qual o Sócio Protector que assinaria o pedido ao Exmº Sub-Secretário das Corporações de Previdência Social, [apontaram] (…)o sr. João Luis Pacheco da Câmara”.
A Junta de Freguesia deliberou oficiar à pessoa apontada para saber da sua disponibilidade. Porém, a resposta não foi animadora, declinando tal Senhor o convite que lhe haviam feito, justificando que não queria ” ter responsabilidades em discórdias futuras, para complicar a vida desta freguesia bastam as [bandas de] música”. Embora os membros da Junta achassem que a resposta ao seu pedido “manifestava frieza” o certo é que não procuraram arranjar outra pessoa para ser responsável como sócio protector da tal iniciativa, tendo esta ficado esquecida.

Em meados dos anos sessenta, voltou a ressurgir a ideia. Porém, tal pretensão ainda não seria concretizada.
Na década de setenta, com a criação da Casa do Povo da Ribeira Grande, em Março de 1973, o Pico da Pedra ficou incluído na sua área, tendo sido picopedrenses os primeiros associados a inscreverem-se na instituição. Assim, os benefícios da Segurança Social passaram a estar ao alcance dos habitantes da freguesia. Todavia, de início, estes teriam de se deslocar à Ribeira Grande, tanto para pagamento das suas quotas como para requererem qualquer benefício.

Entretanto, a 26 de Maio de 1976, começou a funcionar uma Delegação daquela Casa do Povo, numa sala da Junta de freguesia do Pico da Pedra, onde uma funcionária da instituição se deslocava, uma vez por semana, para atender os associados da localidade.

No ano seguinte, na sequência das diligências efectuadas para criação de uma Casa do Povo com sede nesta freguesia, realizaram-se a 30 de Julho de 1977 as eleições para uma Comissão Instaladora, formando-se na altura quatro listas concorrentes, tendo sido eleita a que era constituída pelo prof. José Carreiro d’Almeida, João Luís da Câmara Melo Cabral, Heitor Alves do Couto e Carlos do Couto Silva.

A Casa do Povo, a criada no Pico da Pedra, abrangia também a freguesia das Calhetas, de onde foram eleitos três membros para integrarem a dita Comissão, um deles Frei António Martinho, nela desempenhou o cargo de secretário, sendo presidente o Prof. Carreiro d’Almeida, tesoureiro João Luís da Câmara, e os restantes, vogais.

Formada a Comissão foram enviados os estatutos para aprovação, assim como demais documentação para oficializar a Casa do Povo, a qual foi criada por alvará, assinado pelo Secretário de Estado da Segurança Social, em 2 de Dezembro de 1977. Todavia, devido a demoras de transferência de processos, só a 12 de Abril de 1978 começou a Casa do Povo a funcionar com sede na freguesia, sendo, na altura, Lucília Maria Medeiros Couto responsável pelos serviços.

No início, a Casa do Povo funcionou numa casa cedida pela Junta de Freguesia, edifício este que mais tarde foi demolido para o alargamento da rua Pe. Mendonça.

A aquisição de um imóvel para sede foi uma das preocupações da Comissão Instaladora, que entre os vários apontados acabou por optar pela compra do actual, sito à Rua Dr. Dinis Moreira da Mota, n.º 32, como justificava o Presidente da Comissão Instaladora em entrevista ao boletim Voz Popular, alegando que o espaço reunia ” as condições essenciais para o normal funcionamento da Casa do Povo, isto é, exercício das actividades médico sociais, de recreio e cultura. Além disso o quintal tem bastante espaço disponível (…) para instalações recreativas para crianças e jovens…”.

A nova sede, após algumas obras de beneficiação, foi inaugurada no dia 9 de Dezembro de 1979, pelo então presidente do Governo Regional dos Açores, Dr.º João Bosco da Mota Amaral. Na altura a Comissão Instaladora promovera já uma série de actividades, nomeadamente: visitas guiadas a lugares de interesse da ilha; criação de uma biblioteca; festa de Natal, com iluminação de árvores e montagem de um presépio público, o primeiro que se fez no Pico da Pedra, em 1978; o 1.º Corso Carnavalesco, em 1979; uma exposição sobre o culto a São José, também nessa época, e diligenciou arranjar espaço para um museu etnográfico.

A Comissão Instaladora, nos últimos anos do seu mandato, conseguiu, no âmbito da Educação Permanente, uma professora que organizou a biblioteca, na altura, já com mais de mil livros, a qual foi inaugurada no dia 3 de Maio de 1981. Nesse dia, também se iniciaram dois cursos de corte e costura, este organizado pelos monitores da Educação Permanente. Ainda em 1981, a 30 de Março, começou a funcionar o Posto Clínico dos Serviços Médico-Sociais, na Casa do Povo, com serviço diário de enfermagem e dois períodos semanais de consultas médicas.

Os primeiros corpos gerentes da Casa do Povo, após um processo eleitoral moroso, que durou nove meses, face a dificuldades criadas pela Comissão Instaladora, tomaram posse em 22 de Julho de 1981. Da única lista, persistente, faziam parte e foram eleitos, para a Assembleia-Geral, João Faustino Pereira Ramos, Jaime Correia Dias e João Francisco Gaspar. A Direcção ficou composta por: José Maria Tavares Cardoso Jorge, Adelino Câmara Alves, Camilo Alberto Botelho, João Manuel Mota e Artur Soares de Sousa, sendo este último elemento habitante da freguesia das Calhetas.

Os novos dirigentes da Casa do Povo iriam dar continuidade ao trabalho já encetado, mantendo certas actividades, por exemplo, o corso carnavalesco, bem como abririam a instituição aos jovens e a novas áreas de acção, com a publicação do boletim informativo, A Voz, cujo primeiro número saiu em Setembro de 1981. Por outro lado dinamizaram exposições de arte e artesanato; cursos de alfabetização e outros da área da Educação Permanente; realizaram as primeiras Jornadas da Juventude e da Terceira Idade, em 1982; apoiaram o desporto, e introduziram jogos de sala e fomentaram convívios, entre eles bailes.

O edifício sede da Casa do Povo, em virtude do seu estado de degradação, sofreu várias obras de remodelação e ampliação. Tendo, na década de oitenta e início da de noventa, sofrido grandes obras de reconstrução para a condigna instalação dos serviços de Saúde, Segurança Social, salas de convívio e de jogos, bar e biblioteca. Do antigo só resta o alçado norte.

Para a área rústica da Casa do Povo foram projectadas e construídas zonas dedicadas ao desporto, polidesportivo e campo de futebol, assim como uma área de lazer com parque infantil e jardins. Os jornais confirmariam a actividade da Casa do Povo afirmando ser “ uma das mais activas da Região”. A Casa do Povo esteve no centro de quase tudo o que se fazia no Pico da Pedra. As várias Direcções presididas por José Maria Cardoso Jorge e a presidida por Roberto Morais Sarmento Calisto não se pouparam a esforços para ue a Instituição fosse um organismo cheio de vitalidade e um exemplo a seguir.

A ligação da Casa do Povo com os picopedrenses na diáspora tem sido uma constante, desde o envio do seu boletim A Voz, ao convívio que começou a promover, a partir do ano de 1992, com os emigrantes que nos visitam por alturas das festas da padroeira, Nossa Senhora dos Prazeres .

Nos anos noventa, novas valências foram abertas, no caso, a criação de um Centro Dia de Convívio para Idosos, inaugurado a 8 de Junho de 1992, o qual faz reunir na sua sede, algumas vezes por semana, um bom número de idosos dos dois sexos. Por outro lado, o Acordo de Cooperação com a equipa de futebol, Vitória Clube, para o desenvolvimento das actividades desportivas leva a que a juventude utilize de forma organizada os recintos desportivos da instituição.

Um dos projectos de futuro da Casa do Povo é a construção de uma creche e de um espaço mais adequado, no rés-do-chão para os convívios de idosos.
Bernardo, Gilberto, Percurso de Um Povo, Casa do Povo de Pico da Pedra, 2007, pp 156-160.